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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O não-post das férias

Então que eu tinha planejado postar aqui uma série de dicas para preencher a agenda da garotada nessas férias. Mas não vou fazer isso. E não vou fazer isso porque li um texto que a Rosely Sayão publicou em sua coluna semanal no caderno Equilíbrio da Folha de S. Paulo nesta última terça-feira que me fez refletir. Tomo a liberdade de reproduzi-lo aqui para que vocês também reflitam sobre o assunto.
Vejam só:


Rosely Sayão
Publicado no caderno Equilíbrio de 04/12/12

Quem vai ficar com as crianças?


Passar mais tempo com os filhos durante as férias escolares transformou-se em problema para os pais

TENHO RECEBIDO mensagens de pais - de mães, principalmente - que comentam as consequências que as férias escolares dos filhos provocam em suas vidas, levantam questões e manifestam dúvidas sobre o que fazer com as crianças durante o recesso.

Muitos deles perguntam se faz mal para a criança frequentar a escola nessa época, já que muitas delas oferecem recreação e cursos extracurriculares para a criançada ter o que fazer ou com quem ficar enquanto os pais trabalham.

Outros questionam se a criança precisa mesmo passar tanto tempo sem ir para a escola, sem encontrar seus colegas, sem ter atividades diferentes para realizar com seu grupo.

Há também os que reclamam. Vou citar uma leitora que, magoada, contou que havia planejado fazer um cruzeiro em meados do semestre próximo, mas que, como não encontrou alternativa para o filho, teve de renunciar ao passeio e marcar suas férias para o mês de janeiro, sem direito de viajar sozinha.

Alguns pais perguntam a partir de qual idade a criança pode ir para um acampamento, outros querem dicas do que inventar para os filhos fazerem em casa, perguntam se devem manter rotina, hora de sono, tempo no videogame ou computador, escola de esportes etc.
Há dúvidas de todo tipo. Então, vamos ajudar a esclarecê-las antes de refletir a respeito do tema.

Ir para a escola quando a maioria dos colegas não está lá não deve ser muito agradável para crianças, não acha, leitor? Além disso, deixar sua casa quando não é necessário -as crianças sabem o significado de férias- é custoso para elas.

Descansar dos adultos que trabalham na escola, do ambiente físico, das regras que lá existem, tais como hora de se alimentar, de trocar de roupa etc., é revigorante. Você não gostaria de passar dias de suas férias em seu local de trabalho, não é verdade?

À escola a criança vai para aprender. Mesmo no ciclo da educação infantil, o brincar da criança é diferente e promove o aprendizado. Nem sempre sabemos dizer o que ela está aprendendo, mas que aprende, aprende. E isso é exaustivo. Por isso, a criança precisa de férias escolares, mesmo quando pequena.

Ter filhos significa ter de renunciar, mesmo que temporariamente, a diversas coisas. Reclamar não é produtivo, já que o desejo de ter filhos foi dos próprios pais.

É recente essa ânsia dos adultos de criar programação para os filhos. Eles mesmos podem fazer isso, mas só se tiverem tempo para o ócio. Claro que, depois de viver apenas com os adultos dirigindo suas atividades, eles estranharão um pouco, mas vão aprender o quanto é valioso serem donos de seu tempo, de suas escolhas, da ordem de seus afazeres.

Por último, vale a pena pensarmos nos motivos que levaram muitos pais a tratar as férias dos filhos como um problema. Talvez, seja difícil saber o que fazer com as crianças sem a mediação dos horários rígidos e dos compromissos da agenda escolar. Talvez, seja mais difícil ainda conviver com os filhos por períodos maiores do que os pais estão acostumados.

A partir de quando ficar com os filhos em casa transformou-se em um problema? Desde o momento em que ter filhos passou a ser uma ideia diferente da de acompanhar a vida de uma criança, cuidar dela, dedicar-se a ela, ficar disponível para o que possa acontecer; desde que passamos a querer viver com filhos do mesmo modo que vivíamos antes de tê-los. A partir do momento em que nossa vida desobrigada deles parece ser muito mais sedutora.

Por que temos filhos?

10 comentários:

  1. Noooosssssa, excelente! Excelente, excelente, excelente!!!!

    Minha filha vai completar 2 anos em dezembro (agora), não vai à escola, está com a avó e entrará na escolinha em janeiro/fevereiro. Eu só terei férias em dezembro do ano que vem... e o meu coração está despedaçado. Eu gostaria taaaaaaaaaaaaanto de poder acompanhar a minha filha... gostaria tanto de poder estar com ela, de poder ficar com ela, sair, passear, dormir, acordar, brincar, comer, beber, cair, levantar, tudo ao seu lado. Gostaria tanto de poder curtir o seu período de férias escolares do seu ladinho, fazendo nada, assistindo tv, tomando sorvete, comendo frutas em vasilhas de plástico, lavando feijão e arroz, jogando comida no chão, dando bronca, colocando de castigo, cuidando da sua educação.
    É triste perceber que têm pais que se recusam a ser pais, que reclamam da tarefa que a paternidade (e maternidade, de uma maneira geral, claro) exige de nós. Que não entendem que os filhos são nossos e não da escola, do vizinho, da mãe/avó, do mundo.

    No dia em que eu puder, ficarei muito feliz em curtir as férias da minha filha, integralmente, do seu lado.

    Adorei o texto.

    Beijos!

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  2. Oi, Lia! Sabe, não sou muito fã dela não, mas nesse caso concordo. Aprendi com o tempo a relaxar e não me sentir na obrigação de fazer mil programas, e não me sentir culpada de ficar em casa no fim de semana, simplesmente sem fazer nada. Vivo explicando para eles a importância do ócio... E levo eles pro clube também porque lá ficam soltos e podem inventar o que quiserem. Mas com criança pequenininha a coisa não é tão simples. Especialmente para quem trabalha. Conforme eles crescem as férias vão ficando cada vez mais gostosas. Eu adoro! O que não impede de achar legal mandar para acampamento, não para me livrar deles, mas pela experiência de vida, pela independência e diversão. Só não mando pq não dá.
    Ah, e uma coisa: vc não quer linkar para o BabyCenter Brasil aqui no site? Está linkando para o americano, snif, snif! Beijinhos para todos!

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  3. Amei o texto, sou educadora, agora mãe em tempo integral, mas quando trabalhava em escolas particulares da vida havia mães que imploravam pra colocar os filhos no curso de férias. A dona da escola só aceitava crianças que ficavam em período integral, que os pais não tiravam férias no fim do ano, mesmo assim fechava a escola na semana entre antal e ano novo para dar um descanso principalmente para as crianças.
    Eu tinha um aluno filho de pessoas que não tiravam férias e desde os 4 meses de idade ele ficava na escola ininterruptamente, ele já tinha 5 anos!!! Um dia a dona da escola chamou a mãe dele e pediu que ela proporcionasse férias pra criança, pois ele estava estressado, começou a ficar doente sem motivos aparentes... O garoto ficou umas duas semanas com a vó e voltou outro!
    Sempre ouço mães que parece que "detestam" ter os filhos em casa e ficam falando "quando volta as aulas mesmo? não vejo a hora!", como disse a Rosely: porque temos filhos então?
    Desculpe o desabafo, mas enfim achei alguém dando um opinião sensata a respeito!

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  4. Pois é, Dani, concordo com você. Claro que entendo que tem pais e mães que não têm alternativa e não podem parar sempre que os filhos entram de férias (afinal, no mundo adulto, temos direito a um mês se férias por ano, então a conta não fecha por mais que queiramos ficar com nossos filhos, certo?), mas acho que a Rosely Sayão nao fala exatamente disso nesse texto, ela vai mais embaixo, como você bem disse, ela fala dos pais e mães que se recusam a ser pais e mães e faz essa pergunta muito pertinente: Por que temos filhos, afinal? Bjs e volte sempre!

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  5. Oi, Fê, claro, vou arrumar o link, não sabia que estava errado! Pois é, essa nossa ansiedade de preencher a agenda (nossa tb!) é complicada! E imagino que as ferias vão ficando mais gostosas à medida que crescem. E não sejamos radicais: acampamento de vez em quando pode ser muito legal! Bjs

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  6. Nossa, Tati, coitado desse menino. Abrir espaço emocional nem sempre é fácil, né? Mas se decidimos ter filhos, temos que aprender, não é mesmo? Bjs

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  7. No fundo, acho que está aí o grande desafio da maternidade/paternidade. O discurso de que qualidade é melhor que quantidade me parece, muitas vezes, usado como desculpa para justificar os poucos momentos com os filhos. É fato que poucos têm a possibilidade de ficar em casa com seus filhos em tempo integral, e que o tempo passado junto tem de ser aproveitado ao máximo. Bem como estar com o filho o dia inteiro pode não significar algo realmente proveitoso. Cada caso é um caso. Mas a vontade de estar junto de curti-los é grande.Mesmo que às vezes a gente sonhe por uma escapulida ou os mande para um acampamento (é saudável também, né?).
    Acredito que quando temos nossos filhos, por mais que tentemos preservar ao máximo nossa individualidade, nós deixamos de ser o foco principal para dar vez a eles. Se não quisermos isso, talvez seja mais fácil não tê-los.

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  8. É isso mesmo, Pati! Claro que escapulidas e acampamentos são saudáveis, afinal, a separação, quando feita com critério é bem vinda e até necessária, não é? Acho que a Rosely fala nesse texto sobre algo mais profundo mesmo, de porque as pessoas têm filhos atualmente. Eu fico com a impressão, às vezes, que é para "ticar" um item na "to do list", sabe? Filhos completamente terceirizados e desassistidos...uma pena. Bjs e volte sempre!

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  9. Oi, Lia,
    moro em Brasília, mas adoro passear em São Paulo com as crianças! Antes da próxima viagem, com certeza vou conferir suas dicas!
    Sobre o texto da Rosely, recebi por e-mail da minha irmã. Me chamou tanto a atenção que já estou preparando um post sobre ele...
    Beijos,
    Marusia

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  10. Oi, Marusia, esse texto é mesmo muito bom! Espero que minhas dicas te ajudem na próxima viagem a SP! Se precisar de algo, me mande um email! Bjs

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